O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apura uma denúncia de transporte irregular de pessoas em situação de vulnerabilidade de São José dos Pinhais, no Paraná, para Joinville, no Norte catarinense. Segundo a Prefeitura de Joinville, elas teriam sido deixadas na cidade sem destino definido ou rede de acolhimento.
A investigação começou após denúncias sobre o deslocamento em uma van municipal. O MPSC ouviu servidores envolvidos e identificou indícios de que situações semelhantes poderiam ter ocorrido antes.
De acordo com a Prefeitura de Joinville, o veículo foi identificado na cidade em 1º de julho e voltou a ser visto em 6 de outubro de 2026. Na ocorrência de outubro, servidores de São José dos Pinhais disseram que o grupo viajara por ter conseguido emprego em Joinville.

O caso envolve pessoas de diferentes nacionalidades e instituições sob investigação por suspeita de exploração irregular de mão de obra. O MPSC informou que encaminhará as informações ao Ministério Público do Paraná, enquanto a prefeitura paranaense apura as circunstâncias do transporte.
O que o Ministério Público investiga sobre o transporte de pessoas
Durante a apuração, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ouviu servidores públicos envolvidos no caso e identificou indícios de que situações semelhantes poderiam ter ocorrido anteriormente. O órgão também apurou que parte das pessoas transportadas teria chegado a Joinville após receber promessas de trabalho.
As oportunidades mencionadas estariam ligadas a instituições que já são investigadas por suspeita de exploração irregular de mão de obra. Segundo o MPSC, essa circunstância pode, em tese, caracterizar infrações de natureza criminal.
As informações reunidas serão encaminhadas ao Ministério Público do Paraná para análise. A investigação considera os relatos dos servidores e os dados sobre o deslocamento de pessoas entre São José dos Pinhais e Joinville.
Monitoramento da van em Joinville e posicionamento das prefeituras
A Prefeitura de Joinville informou que a van de São José dos Pinhais foi registrada pela primeira vez na cidade em 1º de julho, após uma denúncia. Na ocasião, o veículo circulou apenas na região da Rodoviária de Joinville e, depois disso, passou a ser acompanhado pela equipe de inteligência da Secretaria de Segurança Pública municipal.
O monitoramento usou câmeras inteligentes que leem placas e notificam as forças de segurança sobre possíveis irregularidades. Em 6 de outubro, por volta das 14h30, um fiscal da rodoviária chamou guardas municipais após uma van deixar cerca de sete pessoas que aparentavam estar em situação de rua.
Os agentes localizaram o motorista e uma assistente social perto do Centro POP; os dois se identificaram como servidores da prefeitura paranaense. Segundo a administração de Joinville, eles disseram que o grupo havia conseguido emprego na cidade e que o destino seria um endereço na Rua XV de Novembro, mas um passageiro pediu para usar o banheiro perto da rodoviária e não quis retornar ao veículo, levando ao desembarque de todos.
As pessoas não foram encontradas nas rondas, mas a prefeitura informou que o grupo incluía um brasileiro, um dominicano e pessoas venezuelanas. Na mesma noite, por volta das 21h, agentes abordaram uma família com crianças, cujos adultos disseram ser venezuelanos, ter passado pelo Centro POP de São José dos Pinhais e estar a caminho de Barra Velha; eles recusaram atendimento da Assistência Social de Joinville.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Pinhais afirmou que apura as circunstâncias do transporte. A Secretaria Municipal de Assistência Social também declarou que encaminhamentos para outros municípios envolvem avaliação técnica, análise de cada caso e registro dos procedimentos, considerando as necessidades das pessoas e as condições de acolhimento no destino.


