Fábrica no Paraná recebe R$ 200 milhões para ampliar produção de motores

A Horse Powertrain inaugurou em 20 de outubro de 2026 uma linha de fundição de alumínio por gravidade na fábrica de São José dos Pinhais. Segundo a empresa, o investimento de R$ 200 milhões amplia a capacidade produtiva da unidade.

A companhia atribui a escolha do Paraná à experiência na fabricação de componentes, à especialização em tecnologia Flex Fuel e à estrutura de desenvolvimento instalada no Brasil. Cleverson Rabito, diretor de operações da Horse Powertrain no país, afirmou que a fábrica opera há 26 anos e completará 27 em 4 de dezembro.

A unidade paranaense fornece componentes para motores turbo flex destinados ao Brasil e à América Latina. Rabito disse que a conquista de novos projetos e contratos poderá ampliar a produção e a equipe.

Horse Powertrain no Paraná

O CEO global Matias Giannini afirmou que a Horse Powertrain tem 18 fábricas e cinco centros de desenvolvimento no mundo, incluindo o de São José dos Pinhais. A empresa também informa que a nova linha usa inteligência artificial na validação das peças e energia de fontes renováveis.

Produção da unidade e novos motores

A linha de fundição por gravidade poderá produzir até 210 mil cabeçotes por ano, destinados aos motores turbo flex Horse H10, de 1,0 litro, e Horse H13, de 1,3 litro. Esses propulsores são comercializados no Brasil e na América Latina e equipam modelos da Renault, entre eles Kardian, Kwid e Boreal.

O aporte de R$ 200 milhões na nova tecnologia se soma aos R$ 100 milhões aplicados anteriormente na fabricação do motor H13. Com a inauguração, a planta passou a reunir fundição de alumínio por alta pressão, baixa pressão e gravidade; as duas primeiras tecnologias operam no local desde 2018.

Para Cleverson Rabito, diretor de operações da Horse Powertrain no Brasil, a fundição por gravidade abre uma possibilidade de conquistar novos negócios. Ele afirmou que a empresa antecipou o investimento e trouxe a tecnologia para a unidade.



Parte do desenvolvimento das máquinas da linha ocorreu no Brasil, com profissionais da empresa de diferentes países e parcerias com universidades, segundo Rabito. O diretor também apontou que a transferência de tecnologia permanece na região e pode contribuir para a formação de profissionais em colaboração com instituições de ensino técnico e universitário.

Atuação global e estratégia da Horse Powertrain no Brasil

O centro de desenvolvimento de Flex Fuel instalado no Brasil atende também às operações da Horse Powertrain em outros países, afirmou o CEO global, Matias Giannini. A estrutura integra a estratégia de adaptar tecnologias às necessidades de cada mercado.

Giannini observou que as demandas tecnológicas do Brasil diferem das existentes na Europa, nos Estados Unidos e na China. Por isso, a companhia considera as particularidades regionais ao desenvolver soluções para seus mercados.

Na avaliação do executivo, a indústria automotiva vive um processo de “desglobalização”, associado a fatores geopolíticos, tarifas e impostos. Ele afirmou que produzir localmente a tecnologia demandada por cada região e manter proximidade com seus mercados pode favorecer as empresas; a unidade do Paraná é um dos centros de desenvolvimento da companhia.

Sustentabilidade e redução de emissões

A nova linha utiliza 98% de alumínio reciclado e energia proveniente de fontes renováveis, conforme informações da empresa. A planta também possui certificação de aterro zero.

Segundo a Horse Powertrain, o processo reduz em cerca de 35% a geração de CO₂ em comparação com fornos tradicionais. A fundição por gravidade foi incorporada à estrutura que já operava com alta e baixa pressão em São José dos Pinhais.

Giannini relacionou a tecnologia Flex Fuel à estratégia de descarbonização da empresa. O CEO afirmou que, dependendo da matriz energética usada para carregar a bateria, um motor híbrido de alto desempenho com Flex Fuel pode ser menos poluente e mais eficiente do que um carro elétrico.



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