O Bonde Urbano Digital (BUD) encerrou as operações de teste na Região Metropolitana de Curitiba após dez meses de circulação. Conforme previsto em contrato, o veículo será devolvido à fabricante chinesa.
O projeto experimental ligou os terminais de Pinhais e São Roque, em Piraquara. O percurso foi realizado em vias da região metropolitana, sem trilhos físicos.
A Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) informou que os dados coletados durante a operação serão usados para avaliar o BUD em comparação com outros sistemas de transporte. Os testes foram concluídos em outubro de 2026.
A implementação definitiva ainda não foi decidida e ficará a cargo da próxima gestão do Governo do Estado. A Amep também prevê avaliar eixos com potencial para receber o sistema e estudar a infraestrutura necessária.
Balanço dos testes e avaliação dos passageiros
O projeto recebeu R$ 6 milhões em investimentos. De acordo com dados da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), foram feitas 633 viagens, com 6.433 quilômetros percorridos e 10.879 passageiros transportados.
A operação ocorria diariamente, com quatro horários. Uma pesquisa de satisfação realizada durante o período experimental registrou aprovação de 93,1% entre os usuários do Bonde Urbano Digital.
A Amep informou que os testes avaliaram a dinâmica e a estática do veículo, além de ruído, equipamentos e sistemas de segurança, comunicação e climatização. Também foram examinados o diagrama de operação típico e o consumo de energia.
Como funcionava o bonde e quais são os próximos passos
O Bonde Urbano Digital tem características semelhantes às de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), mas circula sobre o asfalto, sem trilhos físicos. A orientação ocorre por indução magnética, com magnetos instalados no pavimento a cada um metro, formando uma espécie de trilho virtual.
O trajeto passava pela Avenida Ayrton Senna da Silva e pela Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel, em um percurso de cerca de 10 quilômetros. A tarifa era de R$ 5,50, igual à do transporte tradicional, e o veículo podia atingir até 70 km/h; sua capacidade era de até 280 passageiros.
Embora o sistema tenha orientação autônoma e não exija motorista, durante os testes havia um guia, chamado de piloto auxiliar. Ele podia conduzir o veículo fora do trilho digital. O bonde é 100% elétrico e utiliza baterias de íons de lítio com capacidade de 600 kWh.
Segundo o Governo do Paraná, uma recarga de 30 segundos permite autonomia de três a cinco quilômetros, enquanto a carga completa leva 12 minutos e possibilita até 40 quilômetros de operação contínua. A Amep usará os dados para comparar o sistema com alternativas como o BRT elétrico e o VLT; uma possível etapa seguinte inclui estudos para garagens, estações, oficinas, centrais de energia e centro de controle operacional.


