Paciente com sangramento relata demora no atendimento em Pinhais; prefeitura diz que protocolo foi seguido

O Caso do Paciente com Sangramento em Pinhais

No dia 22 de maio, Rodrigo Cibantos, um mecânico especializado em motocicletas e paciente renal crônico, procurou ajuda na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pinhais, localizada na Região Metropolitana de Curitiba. Ele, que utiliza um cateter venoso central de longa permanência para hemodiálise, notou um sangrado no acesso venoso do peito e decidiu buscar atendimento médico. Ao chegar à UPA, foi orientado pela equipe de enfermagem a aplicar compressão no local do sangramento enquanto aguardava atendimento.

Reclamação de Demora: O Que Aconteceu?

Rodrigo relatou que a longa espera por atendimento o deixou bastante ansioso, uma vez que o sangramento representava um risco em sua condição de saúde. Ele havia retornado da hemodiálise e, após descansar, acordou com o sangramento mais intenso, o que o motivou a ir até a UPA. Apesar de sua condição, durante o processo de triagem, foi informado que deveria passar pela recepção antes de ser atendido. A situação o deixou ainda mais angustiado.

Na triagem, mesmo apresentando sinais evidentes de sangramento, foi-lhe dado uma pulseira amarela, que indica prioridade intermediária. Rodrigo expressou seu desconforto ao perceber que não estava sendo considerado uma emergência e, após cerca de 20 minutos de espera, voltou a procurar a equipe de enfermagem, solicitando ajuda imediata devido ao sangramento ativo.

Demora no atendimento

Resposta da Prefeitura sobre o Atendimento

Em resposta à situação exposta, a Prefeitura de Pinhais, através da Secretaria Municipal de Saúde, afirmou que a avaliação decorrente de registros assistenciais indicou que Rodrigo foi atendido de acordo com o protocolo de classificação de risco que a UPA adota, no modelo Manchester. A Prefeitura enfatizou que o atendimento foi compatível e que não houve sinais clínicos de instabilidade hemodinâmica durante sua permanência na unidade.

A nota informou também que o paciente recebeu as medidas necessárias para o controle do problema e encaminhamentos adequados para um acompanhamento especializado, conforme sua necessidade clínica.

Entendendo o Protocolo de Atendimento em UPAs

As Unidades de Pronto Atendimento seguem protocolos estabelecidos para assegurar que os pacientes sejam avaliados e atendidos da maneira mais eficaz. No caso de Rodrigo, a triagem o classificou com uma pulseira amarela, significando uma urgência intermediária, o que justifica a sequência do atendimento. No entanto, a frustração de Rodrigo em relação a essa classificação ressalta a dificuldade que muitos pacientes enfrentam ao lidarem com a percepção de urgência em suas condições de saúde.

Classificação de Risco: Protocolo de Manchester

O Protocolo de Manchester é um método utilizado amplamente em centros médicos para classificar a gravidade do atendimento requerido pelos pacientes. Este sistema utiliza cores para permitir que as equipes identifiquem rapidamente a prioridade do atendimento. Enquanto a pulseira amarela indica uma urgência intermediária, outras cores, como vermelho ou laranja, indicam situações que requerem atenção imediata e ações rápidas.



Impacto da Demora no Atendimento ao Paciente

A prolongada espera em situações que envolvem condições médicas críticas pode ser potencialmente perigosa para a saúde do paciente. No caso de Rodrigo, a ansiedade aumentou o nervosismo, e ele ficou receoso de piorar sua condição ao não receber o atendimento necessário rapidamente.

O estresse causado pela demora não apenas afeta psicologicamente o paciente, mas também pode agravar condições médicas existentes. É vital que as unidades de emergência reavaliem continuamente seus protocolos de triagem e garantam uma comunicação clara com os pacientes sobre suas condições e o que podem esperar em relação ao atendimento.

Depoimentos do Paciente Rodrigo Cibantos

Rodrigo salientou que sua expectativa ao chegar à UPA era de receber ajuda de imediato, especialmente devido ao seu preconceito sobre a urgência de sua condição. Ele reafirmou que gostaria que equipes de saúde tivessem atuado com mais proatividade no momento da triagem, aliviando assim seu sofrimento inicial. Também ressaltou a frustração de ouvir que deveria estancar o próprio sangramento.

Análise do Comportamento da Equipe de Saúde

A equipe de enfermagem, ao seguir os protocolos estabelecidos, pode ter agido conforme a sua formação técnica, mas é crucial considerar a experiência do paciente. Demasiado rigor na aplicação de protocolos de triagem sem um olhar empático das necessidades e condições do paciente pode resultar em situações desconfortáveis e prejudiciais, como a vivenciada por Rodrigo.

Implicações da Situação para o Sistema de Saúde

Incidentes como o de Rodrigo Cibantos evidenciam a importância de um constante aprimoramento nos protocolos de atendimento em unidades de saúde. A busca por soluções que contemplem a humanização do atendimento deve ser uma prioridade dentro das práticas de saúde pública, para assegurar que cada paciente sinta-se ouvido, respeitado e cuidado em sua condição de saúde, promovendo assim melhores resultados e experiências.

O Que Pode Ser Feito para Melhorar o Atendimento?

Algumas ações que podem ser implementadas para melhorar o atendimento em UPAs incluem:

  • Aprimoramento na Capacitação da Equipe: Treinamentos regulares que ressaltem a importância da comunicação empática e a prontidão para agir em casos de urgência.
  • Reavaliação dos Protocolos de Triagem: Ajustes nos protocolos existentes para levar em conta não apenas a gravidade técnica, mas também a situação emocional do paciente.
  • Feedback dos Pacientes: Criação de canais efetivos para que os pacientes possam relatar suas experiências e sugerir melhorias.
  • Estratégias de Redução de Tempo de Espera: Implementação de medidas que visem diminuir o tempo de espera para fins de atendimento, buscando sempre a melhor experiência possível para os pacientes.


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